FICHA TÉCNICA

Viktor Aleksandrovich Kossakovsky é um cineasta russo. Ele iniciou sua carreira em filmes no estúdio de documentários de Leningrado como assistente de câmera, diretor assistente e editor em 1978. Em muitos de seus filmes, Kossakovsky desempenha o papel de editor, diretor de fotografia, escritor e diretor. O filme Aquarela participou da Official Selection do Sundance Film Festival e do Venice Film Festival.

Data de lançamento: 16 de agosto de 2019 (EUA)
Direção: Viktor Kossakovsky
Música composta por: Eicca Toppinen
Elenco: Hayat Mokhenache, Peter Madej
Edição: Viktor Kossakovsky, Ainara Vera, Molly Malene Stensgaard
Cinematografia: Viktor Kossakovsky, Ben Bernhard

Aquarela - A força da Natureza

Aquarela é um filme estonteante sobre a água nos seus variados estados (sólido, gasoso, líquido). Já na abertura, o espectador percebe gradualmente que uma equipe de resgate deve trabalhar em tempo integral para salvar pessoas e veículos do gelo. Normalmente, esse gelo ficaria congelado por mais três semanas, permitindo que as pessoas passassem por ele como um atalho. Essas rotinas são interrompidas, no entanto, pelas mudanças climáticas, e o impacto bastante brutal dessa mudança abrupta é capturado na câmera. As cenas expõem a verdade deste momento global: que o mundo está mudando rapidamente, que essas mudanças já começaram a ser devastadoras para certas comunidades humanas e não humanas, e que essas mudanças continuarão a piorar e a ter efeitos cada vez mais infelizes, se a correção principal não começar imediatamente.

Aquarela é um trabalho impactante, onde não falta suspense e momentos de verdadeira tragédia, tudo tecnicamente trabalhado a 96 frames por segundo (fps), e trilha sonora absorvente pelos acordes de “symphonic metal” da banda Apocalyptica. Como a água é parte fundamental da aquarela na técnica de pintura, a mesma água é parte importante no olhar do cineasta russo Victor Kossakovsky. O filme viaja pelo mundo, desde as precárias águas congeladas do Lago Baikal na Rússia, passando por Miami e os espasmos do Furacão Irma, até as maravilhosas Angel Falls da Venezuela. Uma jornada pela beleza transformadora e pelo poder cru da água. Capturado de forma rara, o filme é um alerta visceral de que os humanos não são páreo para a força suprema e natureza caprichosa do mais precioso elemento da Terra. Montanhas de gelo se movem e se partem como se tivessem vida própria. A água é o personagem central, vista em toda a sua grandeza, neste filme que revela suas muitas formas com uma alarmante clareza cinematográfica. Os humanos frágeis experimentam vida e morte, alegria e desespero diante de seu poder.

O filme aborda o tema da emergência climática, quase como um filme de guerra. O humanismo fez coisas muito boas ao longo da história, mas chegou o momento em que a humanidade precisa repensar suas escolhas e promover a mudança. “A vida de qualquer outra criatura ao nosso redor é tão importante quanto a nossa. O fato de não conseguirmos viver sem água mais de cinco dias diz logo que não somos a coisa mais importante de todas. Um iceberg pode ter centenas de milhares de anos, mas você pode tirar um pedaço de gelo e beber. Ele está vivo. Isto significa que a água é imortal.”, desabafa Kossakovsky.