FICHA TÉCNICA

Lin-Manuel Miranda (Nova Iorque, 16 de janeiro de 1980) é um ator, rapper, compositor, escritor norte-americano de origem porto-riquenha conhecido por escrever e estrelar os musicais Hamilton e In The Heights. Por seus trabalhos ele já ganhou um Prémio Pulitzer, dois Grammys, um Emmy, três Tonys e outros prêmios.

Em julho de 2008, Miranda leu a biografia de Alexander Hamilton, escrita por Ron Chernow, enquanto estava de férias e, inspirado pelo livro, criou o premiado musical.

Hamilton - O musical visionário de Lin-Manuel Miranda

O musical sobre Alexander Hamilton, o primeiro secretário do Tesouro dos EUA, é sucesso arrebatador na Broadway e já ganhou montagens em Los Angeles, São Francisco, Londres e Sydney. Hamilton tem diversidade de elenco e importância sociológica, mas seu maior trunfo é que o show é de fato brilhante. Todo musicado em hip hop, algo que já foi experimentado antes com sucesso limitado, nessa montagem funciona de maneira surpreendente. Miranda - que escreveu, produziu e atua como o protagonista do espetáculo – arrebata seu público com grandes emoções e grandes melodias, emocionantes, engraçadas e tecnicamente virtuosistas narrativas.

"Alexander Hamilton", a música de abertura, exemplifica tudo o que há de bom no programa. Uma construção incansavelmente cativante, um senso de drama crepitante, e é absolutamente repleta de informações sobre a vida agitada de Hamilton - o 'bastardo', órfão, filho de uma prostituta e de um escocês que, ainda adolescente, emigra para a América em 1772. No decorrer do espetáculo, o imigrante socialmente inepto, age com um vigor arrepiante para libertar e reformar os Estados Unidos. A produção remasterizada de Thomas Kail na Broadway é segura com cenas tensas, quase como quadros. Cenário e coreografia nítidos porém mínimos não disputam atenção com a música, as palavras e as figuras impressionantes do elenco em trajes de época. Mas um dos pontos fortes de 'Hamilton' é que a montagem reconhece que a vida real é mais complicada do que heróis e vilões: vemos que Hamilton pode ser um pouco idiota enquanto que seu adversário Burr dificilmente era mau…

Como uma mixtape habilmente sequenciada, 'Hamilton' nunca fica em um ritmo por muito tempo. A introdução das irmãs Schuyler - a futura esposa de Hamilton, Eliza e sua alma gêmea Angelica - mostra um pouco de R&B ao estilo dos anos 90. Na sequência, o próspero George Washington acrescenta outra tonalidade - um gigante emotivo e comovente que se ergue sobre Hamilton e suas incessantes disputas. O poder simbólico de 'Hamilton' reside em sua colocação arrojada de imigrantes, minorias e sua cultura no centro da narrativa americana.