NOSSO ARTICULISTA

Tom Leão é jornalista / crítico musical e de cinema. Editou, por 22 anos, a coluna de cultura alternativa RIO FANZINE, no jornal O Globo (1988-2010). Foi crítico de música e cinema para o mesmo jornal por mais de 20 anos.
Colunista cultural fixo do programa Estúdio I (2010-18) e de cinema, do J10, ambos na GloboNews. Colunista do Jornal do Brasil, onde também faz crítica de cinema.

TOM LEÃO - cinema e tv

DICAS QUARENTENA FEST, PARTE 1

Até os anos 1970, se estivéssemos passando por uma quarentena, como agora, só teríamos, além dos livros e discos, a TV (com meia dúzia de canais) para nos distrair. Nos 80s, um videogame, o Atari, e o VHS, davam mais opções. Em parte dos 90s, já tínhamos, também, o computador caseiro, e a TV paga. Daí em diante, tudo isso e mais um pouco. Hoje, o streaming de internet, que traz áudio e vídeo, nos supre muito bem, e deixa o isolamento obrigatório caseiro, algo mais suportável. Os serviços de streaming, são uma mão na roda. Netflix, o mais popular, tem centenas de séries e filmes de produção própria. Nesta, vale a pena descobrir “Atypical”, sobre família com um adolescente autista. Trata do tema com muita leveza e humor. E, nos faz ver o assunto de modo diferente. A autora da série, Robia Rashid (que, antes, fez um curta, homônimo, sobre o caso), se baseou em seu irmão autista. Daí o conhecimento de causa, sem pieguice. Já tem três temporadas (com dez episódios de 25 minutos, cada). A quarta, será a última. Dá pra ver tudo em poucos dias, em maratona.

Já no Prime Video, da Amazon, outras séries já encerradas (e já comentadas aqui) devem ser vistas correndo: “Fleabag” (apenas duas temporadas), premiada série inglesa, baseada em observações da própria autora, Phoebe Waller-Bridge, que faz a protagonista; e “Mozart in the jungle” (quatro temporadas), sobre os bastidores da sinfônica de Nova York, que são tão loucos quanto os backstages do rock. Gael Garcia Bernal é o protagonista, como um maestro genial e louco, que costuma conversar com Mozart, em seus momentos de devaneios.

O Prime Video, tem, também, uma excelente biblioteca de filmes mais antigos (o que faz falta no cardápio Netflix). Como alguns títulos que Roman Polanski fez em Hollywood (antes de se exilar na Europa): os clássicos “O bebê de Rosemary” (1968) e o magnífico “Chinatown” (1974). São dois filmes absolutamente imperdíveis. Lá, está também o cult “Warriors” (“Os selvagens da noite”, 1979), de Walter Hill, sobre gang que é perseguida por, injustamente, ter sido acusada de matar o líder de todas as gangues de Nova York. A ação é incessante. E o filme, foi rodado durante as madrugadas, numa Manhattan que não existe mais. Incrível.