FICHA TÉCNICA

ENTRE TERRA é o registro das perfurações da terra, na cidade do Rio de Janeiro, durante a construção do metrô, que originou um livro e uma exposição.
RICARDO NAUENBERG é um artista multimídia, com atuações no cinema, vídeo arte, instalações e fotografia, tendo começado na pintura. Sua fotografia não é jornalística. Sem abandonar suas origens, são imagens gráficas com estudos de luz e sobre texturas, que podem ou não contar histórias. São antes de tudo pesquisas sobre formas. Mesmo quando se dedicava à fotografia de moda e publicidade, as imagens eram organizadas como pinturas onde a forma minimalista ditava a estética. Estudou pintura com IVAN SERPA antes de se dedicar à fotografia. A partir da nova opção estagiou no lendário ESTUDIO PLUG, comandado por DAVID DREW ZINGG, ANTÔNIO GUERREIRO E EDUARDO CLARK ( filho de Lygia Clark), sendo por alguns anos assistente de DAVID. Como uma evolução, abraçou o cinema, tendo trabalhado na TV GLOBO como diretor por mais de dez anos. Retomou a fotografia com o ensaio ENTRE TERRA, que originou um livro publicado e uma exposição de grande porte no Centro Cultural dos Correios.
Suas produções são administradas pela sua produtora INDUSTRIA IMAGINÁRIA, entre longa metragens, programas de tv, instalações e ensaios fotográficos.

RICARDO NAUENBERG: ENTRE TERRA

UM ENSAIO FOTOGRÁFICO SOBRE A INTERFERÊNCIA DO HOMEM NA TERRA

Muitos anos antes em Paris, conversei com Sebastião Salgado sobre a possibilidade de um filme sobre sua obra, mas já havia um plano para "O Sal da Terra" em curso, com o comando do seu filho e Wim Wenders e não evoluímos.

Em 2015, fui ver o filme na Estação Ipanema no Rio de Janeiro, em uma noite chuvosa de março. Na saída do cinema, dirigindo à noite, senti saudades das minhas origens... a fotografia. Depois de uma rápida passagem pela pintura estudando com o renomado pintor Ivan Serpa (em um centro que ele havia montado na Rua Paul Redfern em Ipanema), mergulhei no universo da colagens, a partir de imagens reais. Na pesquisa por texturas e formas, muitas vezes passei a produzi-las com uma câmera fotográfica. Desse instante até a fotografia pura foi um pulo rápido, e fui estagiar no lendário estúdio PLUG, sob o comando de David Zingg e Eduardo Clark (filho de Lygia Clark, um ícone da arte brasileira). Acabei contratado pela TV GLOBO, onde iniciei uma trajetória na televisão e cinema.

Projetos de cinema e TV são sempre demorados... muitos meses até que se decidam os pormenores, sejam financiados, e produzidos. Senti saudades da época em que era somente eu e minha câmera, onde apertar o botão era uma decisão rápida e confortavelmente solitária. Na minha inquietação criativa senti inveja dos fotógrafos. Pensando sobre isso e dirigindo para casa, passei pelas enormes obras (um tanto épicas) que estavam acontecendo para instalação do metrô subterrâneo no Itanhangá na Barra da Tijuca (as obras eram parte da preparação da cidade para as Olimpíadas). Percebi que era um corte profundo na Terra e digno de registro... seria uma retomada da fotografia, desde os tempos em que trabalhei no mercado de moda, fotografando para a Vogue e para a publicidade, e das exposições, como a individual na Galeria Ipanema nos anos setenta, cuja montagem foi feita por mim e o pintor Jorginho Guinle Filho, ainda em começo de sua carreira.

Registrar essa verdadeira "Serra Pelada " submersa (um garimpo que existiu no Norte do Brasil, magnificamente retratado por Sebastião Salgado) era uma oportunidade clara. O destino me oferecia generosamente uma jornada confortável, na minha própria cidade, sem necessidade de nenhum translado. Decidi mergulhar em um ensaio sobre o tema e durante um ano fotografei essas interferências, procurando focar se eram cicatrizes ou tatuagens... uma ação forte do homem no meio ambiente, com imagens e formas que me surpreenderam e desapareceram, pois o processo se completou em um ano. As imagens foram quase todas captadas com lentes muito abertas ou muito fechadas, dentro da poeira constante do cimento e da lama que brotava do lençol freático. Lá estava eu e minha câmera, um estrangeiro observando os acontecimentos com um olhar apenas interessado na variação das cores, formas e ação humana.

Dessa forma nasceu ENTRE TERRA

O MUNDO, com as novas tecnologias e explosão demográfica, está sofrendo a maior transformação física desde o início dos tempos em que vivemos.... A TERRA ESTÁ SENDO CORTADA. A modernização de todas as cidades é uma das mudanças mais evidentes. São obras épicas que inevitavelmente impactam com força o meio ambiente. A questão não é se DEVEMOS OU NÃO DEVEMOS perfurar, cortar, modificar, interferir na capa terrestre em favor do conforto de apenas uma das espécies que participam do ecossistema terrestre. A resposta não é sim ou não... mas COMO faze-lo. Somos sete bilhões de habitantes que sem tecnologia e ciência não seríamos capazes de sobreviver. As interferências geram marcas inevitáveis na superfície terrestre... O impacto de sete bilhões sobre a Terra pode ser altamente destrutivo... ou construtivo. São marcas que deixamos sobre o planeta que podem ser cicatrizes (se mal feitas) ou tatuagens (se bem planejadas).

ENTRE TERRA é o registro dessas modificações em favor do progresso urbano de seus habitantes, que impacta na qualidade de vida, produtividade, economia e bem estar. É um registro de toda a tecnologia que raramente é vista pela população ou cidadão comum, pois desaparece para sempre na conclusão das obras. Poucos tem noção da dimensão tecnológica dessas transformações até porque a população não tem acesso ao canteiro das obras. Não é um registro jornalístico, é um olhar estético das formas e das pessoas que fazem parte do projeto… uma memória GRÁFICA de todo o processo permitindo ao público entender a metamorfose na crosta terrestre e nas suas entranhas, registrando a capacidade do homem em interferir exponencialmente no meio ambiente.... um verdadeiro registro de arte na sua forma mais pura. As obras são como esculturas que acabam por caracterizar uma cidade... são grandes interferências urbanas. Elas mudarão não só a paisagem mas também a flora, a fauna e o modo de viver da população local e visitante.

ENTRE TERRA foca essas transformações de forma original e única, mostrando o impacto destas obras de dimensões gigantescas, de caráter absolutamente épico... leva ao público cenários físicos e humanos da transformação urbana que estamos vivendo. É um questionamento e um registro da enorme capacidade do ser humano em redesenhar a face terrestre...repaginando-a como uma criativa tatuagem, se feito de forma inteligente e sustentável.

VISUALIZAÇÃO E VENDA